Estava escuro, frio. Frio não: Gelado. O vento soprava me fazendo tremer. Era incrivelmente gelado. A única coisa que ouvia era a batida do meu corpo no chão enquanto me contorcia. Mas não sentia dor. Ou melhor, não gritava de dor. Era uma dor que me fazia bem. Era uma dor agradável que me dizia que quanto mais durasse, eu estaria vivo. E quando cessasse, eu não enxergaria mais nada além da obscuridade. Eu estava indo embora. Ele me deu todo o seu veneno. Suas pílulas, seus remédios. Tudo de ruim que tinha, ele me deu para me fazer bem. Eu sei disso, e agradeço, já que ele atendeu a um pedido meu. Eu o amo e por isso não posso ficar. Implorei pela morte. E o amo mais por ele ter me atendido. Qualquer outro em seu lugar não faria isso. Mas era um amor que me corroia. A cada dia, a cada hora, a cada minuto. Eu precisava deixá-lo. Eu estava deixando, de fato. Eu finalmente consegui. Acabou.
Escrito por Karoline Moraes.